Em política, “a comunhão de ódios é
quase sempre a base das amizades”. Esta frase de Tocquevile espelha o momento
atual na vida partidária brasileira. O mais recente exemplo: O PMDB diante da
baixa votação obtida pelo deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN, eleito
presidente da Câmara dos Deputados com apenas 22 votos além do necessário,
desconfia que foi traído pelo PT azedando ainda mais o clima rumo a 2014.
Conforme circula em Brasília os
peemedebistas atribuem grande parte da responsabilidade pelo desempenho
considerado ruim a traições de petistas, apesar do acordo entre os dois
partidos para que Alves fosse o presidente da Casa, e relacionam esse
comportamento à próxima disputa presidencial.
Se estas escaramuças estão em
evidências na alta cúpula partidária pode- se imaginar como andam as desavenças
nas bases. Aqui mesmo na Paraíba, PMDB e PT não se afinam. As ofensas são
recíprocas e tudo caminha para uma divisão de rumo em 2014.
Para comprovar a desarmonia
partidária basta dá uma lida nas declarações recentes do ex-governador José
Maranhão, quando diz que não votou no segundo turno no prefeito Luciano
Cartaxo, que por sinal foi seu vice-governador, por que “nunca
acreditou no seu projeto administrativo”. Maranhão foi derrotado por Luciano no
primeiro turno por uma diferença avantajada de votos, talvez daí venha esta
antipatia.
Por sua vez, o deputado Anísio Maia,
líder do PT na Assembléia Legislativa e um dos principais coordenadores da campanha
de Cartaxo, em tom de galhofa e de acentuado desprezo, declara
que os petistas paraibanos aceitam uma composição com o PMDB para 2014, desde
que Veneziano Vital do Rego, figure como candidato a vice em uma chapa
encabeçada pelo PT.
Este tipo de arrobo da parte de
Anísio Maia só pode mesmo ser gozação, pois, toda Paraíba sabe, que o
ex-prefeito de Campina Grande, o cabeludo Vené, vem sendo preparado, para
disputar o pleito de 2014 na condição de candidato a governador e jamais
aceitaria ser vice de quem quer que seja neste momento atual.
E, Veneziano já deu demonstração
disso quando, peremptoriamente, se negou a ser candidato a vice em 2010, na
chapa encabeçado pelo próprio Zé Maranhão que, derrotado, chegou até mesmo a
culpar os peemedebistas campinenses pela derrota sofrida para o atual
governador Ricardo Coutinho.
Vale registrar que em política tudo
tem o seu preço. E, geralmente, a fatura é cobrada com juros e correções.
Agorinha mesma, depois de abocanhar as presidências da Câmara e do Senado, o
altruísta PMDB já reuniu a sua tropa, sob a liderança indefecável deputado
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para conduzir uma investida contra a
política de desonerações tributárias da presidente Dilma Rousseff. Com a
complacência do vice-presidente Michael Temer decidiu emendar todas as medidas
provisórias que o Planalto enviar ao Congresso sobre a matéria.
Com suas emendas, o PMDB tentará
impedir que a redução de alíquotas de tributos como IPI e Imposto de Renda
incida sobre os valores que a União é obrigada a repassar a Estados e
municípios. Com esta medida o governo terá que tirar a desoneração da parte do
tributo que cabe a ele, não da parcela que cabe aos governos estaduais e às
prefeituras.
Diante desse contexto, a
frase de Tocquevile, inserida no início deste arrazoado, pode-se muito
bem acrescentar outra de autoria de Victor Lasky que diz que “na política
não há amigos, apenas conspiradores que se unem”.
BoaVenturaOnline com ChicoPinto

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