quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Dilma diz que IPCA de julho mostra inflação sob controle


presidente da República, Dilma Rousseff, participa de café da manhã com jornalistas em 27 de dezembro de 2012
Em entrevista a rádios do sul de Minas Gerais, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho mostra uma inflação "bastante sob controle". "A inflação vem sistematicamente caindo", comentou. Ela ressaltou também que o resultado de julho é um dos mais baixos para o período e que o preço da cesta básica caiu em todas as dezoito capitais pesquisadas. Nesta manhã, o IBGE informou que o IPCA ficou praticamente estável em julho, em 0,03%, com alta acumulada de 6,27% em 12 meses.
A comemoração vem em momento pouco oportuno. A desaceleração do índice de julho é fator sazonal e ocorre devido à queda dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional somada à redução das tarifas de transporte público após os protestos que varreram o país. Para se ter uma ideia, em 2009, 2010 e 2011, anos de inflação alta, o indicador esteve próximo de zero nos meses de julho. Em 2012, teve comportamento atípico e ficou em 0,33%, oscilação considerada alta para o período, devido às quebras de safra ocorridas no Brasil e nos Estados Unidos.
Apesar do otimismo da presidente nas declarações desta manhã, economistas continuam céticos. No último relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, a previsão para o IPCA no final de 2013 se mantém em 5,75%, bem acima do centro da meta de 4,5%. Já para 2014, o cenário piora: a estimativa para o indicador é de 5,87%.
Os comentários feitos pela presidente apenas reforçam a percepção do mercado de que o governo culpa o cenário externo quando a inflação sobe, mas toma para si os louros quando o indicador recua - comportamento que dificulta a retomada da credibilidade da economia brasileira. Dilma segue: "a inflação está completamente sob controle, atingindo os valores mais baixos do período, e você detecta isso em todos os quesitos, tanto na alimentação quanto no setor de serviços e de transportes. É um fenômeno que está se espalhando por todos os preços", afirmou. A presidente disse ainda que houve "um estardalhaço" desnecessário com a inflação.
O banco Goldman Sachs divulgou relatório ao mercado logo após a publicação do índice. A instituição, que recentemente reduziu sua operação no Brasil, não compartilha o mesmo otimismo que o Palácio do Planalto. "A dinâmica inflacionária melhorou na margem, mas isso é resultado da reversão de preços de alimentos perecíveis, sazonalidade favorável e redução das tarifas de ônibus. A inércia na inflação de serviços (que ficou estável em 0,64% em julho e 8,5% no acumulado em 12 meses) é motivo de preocupação. Além disso, a desvalorização do real deve pressionar os preços de bens comercializáveis no curto prazo. A recente estabilização da inflação se deve, em grande parte, a fatores transitórios e estamos longe de acreditar na volta do indicador à ilusória meta de 4,5%", informa o comunicado.
Veja com Estadão e Agência Reuters                                                                                        Imagem: Getty Images

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