Ela se chama Luciana Tamburini. O nome dele é João Carlos de Sousa Correa. Ela é agente de trânsito. Ele é juiz.
Os dois ganharam
notoriedade nos principais jornais e TVs do País e nas redes sociais
nesta última semana. Ela por ter lhe dito uma obviedade: que ele era
juiz, mas não era deus e, portanto, ao dirigir sem documentos do carro e
sem habilitação, não estava imune à lei.
(Agente de trânsito)
Ele lhe deu voz de
prisão e fez uma representação interna no Detran-RJ por conta do fato.
Ela chegou a ser levada para a delegacia. Daí ela o processou. Só que
ele é que ganhou a ação e Luciana foi condenada a pagar 5 mil reais.
O fato é inédito, mas
soa familiar. Quem não sabe de algum caso em que algum membro do
judiciário utilizou a famosa “carteirada”? Há inclusive um dito popular
que diz que “alguns juízes acham que são deus; outro têm certeza”.
Quando surpreendidas com envolvimento em ilícito, pessoas comuns
costumam ir para a cadeia. Juízes geralmente são “penalizados” com
aposentadoria compulsória e salário integral.
Sem cometer
generalizações, o abuso de poder de alguns que ocupam posições de poder
no setor público não é novidade. Mas a forma como esta situação foi
tratada fora do Tribunal, onde Correa não está cercado de influência e
de amigos, é sim. No mesmo dia em que Luciana tomou conhecimento da
sentença e afirmou não poder pagar o valor, maior que seu salário
mensal, internautas de todo o País iniciaram campanha virtual de
mobilização de recursos chamada “divina vaquinha” que em poucos dias
superou a meta de 5 mil reais em 200%.
TVs e jornais revelaram
outras situações em que o magistrado agiu de maneira similar, outros
abusos de poder, investigações no CNJ e as redes sociais disseminaram
tais informações massivamente.
Além de não ser deus, o
magistrado provavelmente descobriu que num mundo interconectado e com
uma sociedade que vai aos poucos se tornando cada vez mais consciente e
vigilante, vai ser cada vez mais difícil dar “carteirada”. Melhor mesmo é
levar consigo a carteira. De habilitação.
Ps: A outra “boa da
semana” foi o pedido de desculpas de Diogo Mainardi, jornalista da Globo
News, que ofendeu e incitou ódio a nortistas e nordestinos. Com a
repercussão negativa do seu comentário infeliz, Mainardi teve que pedir
desculpas e disse que não teve a intenção. Teve sim. E além de 90
denúncias contabilizadas pela OAB, o apresentador foi denunciado por
parlamentares ao Ministério Público.
Do Cidadania


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