Diante dos fatos registrados no decorrer de 2012, tudo se
vislumbra no sentido de que 2013, será o ano do Judiciário brasileiro. As
ações, ou melhor, as decisões que venham a ser tomadas pela justiça, a partir
de agora, sem nenhuma dúvida, serão observadas com total interesse por
parte do cidadão. E, vale ressaltar, que esse interesse será voltado para todas
as instâncias do judiciário e não somente para os Tribunais superiores.
A população brasileira jamais irá esquecer que o ano de
2012 ficou marcado pelo julgamento do mensalão, o mais longo e complexo da
história do STF (Supremo Tribunal Federal), no qual foram condenados figurões
da política nacional, entre eles o ex-todo poderoso ministro da Casa Civil José
Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino. Ficou marcado por que jamais
se imaginaria que “gravatudos” desse porte fossem alcançados pelo poder da lei.
Com o mensalão, criou-se um fio de esperança na expectativa de que à
impunidade, mãe de todos os corruptos, chegue ao seu final.
Mas, para que ideário de justiça se concretize no âmago e
na mente do cidadão, inegavelmente também será necessário que os órgãos
fiscalizadores do Judiciário, a exemplo do Conselho Nacional de Justiça - CNJ e
das Corregedorias não sejam complacentes, e tenham o olhar arguto para dentro
da própria casa, no sentido de coibir e punir aqueles magistrados que denigrem
a imagem do Poder.
As instituições do Poder Judiciário têm que ser muito fortes
e estar acima do bem e do mal. Não basta cumprir a lei, tem que dar exemplo
ético e moral. O magistrado tem que respeitar os princípios de imparcialidade.
Um juiz tem que estar acima de qualquer suspeita, não pode pairar a mínima
sombra de dúvida sobre um magistrado.
O Judiciário é a parte central para se ter o estado de
direito democrático pleno. O Judiciário tem que ser forte e não sucumbir a nada
que não seja cumprir seu papel social e as leis.
É chegado o momento ideal para que o Código de Ética da
Magistratura seja o panteão da virtude e da integridade do julgador, pois, só o
juiz íntegro é capaz de viver a imparcialidade; sempre suportando todas as
pressões exteriores e interiores para satisfazer outros interesses que não
sejam os da justiça. Também, é de salutar importância, que o cidadão não se
iniba diante de magistrados arbitrários e denuncie quando os seus direitos,
propositadamente, venham a ser escamoteados.
A opinião pública merece ser sabedora de que providências
moralizantes já vêm sendo adotadas por parte da própria justiça. Em relatório
publicado na última sexta-feira, o CNJ divulgou que sete juízes foram mandados
para a compulsória por
prática de irregularidades. Entre as quais a venda de sentenças e
favorecimentos indevidos. A compulsória é considerada a pena mais alta para
juízes que são processados em Processos Administrativos Disciplinares (PAD).
De acordo com o CNJ, em 2012 foram punidos, por decisão
plenária, 11 magistrados. Além dos sete que foram aposentados compulsoriamente,
dois outros foram punidos com remoção (transferência obrigatória do juiz para
outro local) e outros dois com censura, uma advertência. Além disso, em 2012
foram afastados preventivamente seis magistrados. Atualmente, segundo o CNJ, há
26 processos administrativos disciplinares em curso no Conselho.
O relatório do CNJ é a prova irrefutável de que o
problema existe e, somente agindo com rigor e firmeza, a nossa Justiça será
elevada ao seu verdadeiro panteão, que é a defesa das leis e dos cidadãos, já
que a impunidade e os seus efeitos são responsáveis pela mazelas que assolam no
nosso País.
BoaVenturaOnline com Chico Pinto
Nenhum comentário:
Postar um comentário
ATENÇÃO! Regras de comentários:
1– Poderão ser recusados os comentários anônimos ou assinados com e-mail falso;
2 – Serão, automaticamente descartados os comentários que contenham insultos, agressões, ofensas e palavras inadequadas.
3 – Serão excluídos, igualmente, comentários que contenham material publicitário, ou propaganda político-partidária. Que tratem de temas alheios aos abordados no contexto da matéria comentada;
4 - Os comentários publicados poderão ser retirados a qualquer tempo, em caso denúncia de violação de alguma das regras acima estabelecidas.