Há quase um ano, a
presidente Dilma Rousseff esteve em Palestina, distrito de Mauriti,
estabelecendo o marco da retomada das obras do Canal do Rio São
Francisco.
Em fevereiro do ano
passado, o canteiro de obras visitado pela presidente já contava com um
quadro reduzido de operários. Hoje, o lote 6 está sem ninguém. As marcas
de um visível abandono de um trecho entre os distritos de Palestina e
Umburanas estão no caminho deserto, com retratos da seca pela estrada.
Animais mortos e água
sendo transportada em carroças por quilômetros pelos moradores traçam o
paradoxo de uma obra bilionária frente ao atraso milenar da estiagem no
Nordeste.
Uma equipe de reportagem
da Rede Globo de televisão grava neste sábado (12) uma reportagem
especial nas obras paralisadas do canal da transposição do Rio São
Francisco, localizadas no município de São José de Piranhas, no Alto
Sertão da Paraíba.
A matéria fará parte de uma nova série de reportagem que será exibida no programa Fantástico, que vai ao ar aos domingos.
A visita da equipe global ao trecho de obras será acompanhada pela representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, Gerlândia Vieira.
Desde que foi iniciado em 2007, o canal estava com orçamento previstos para gastos em torno de R$ 4,5 bilhões. O Orçamento total da obra já chegou a R$ 8,2 bilhões e R$ 3,5 bilhões já foram investidos. Dos 16 lotes, sete estão em andamento e apenas um concluído. Foram realizadas rescisões parciais em alguns trechos e novas licitações serão lançadas até março de 2013, segundo a previsão do Ministério da Integração Nacional. Dois lotes estão com obras paralisadas e algumas delas já chegaram a ser advertidas e até multadas.
A matéria fará parte de uma nova série de reportagem que será exibida no programa Fantástico, que vai ao ar aos domingos.
A visita da equipe global ao trecho de obras será acompanhada pela representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, Gerlândia Vieira.
Desde que foi iniciado em 2007, o canal estava com orçamento previstos para gastos em torno de R$ 4,5 bilhões. O Orçamento total da obra já chegou a R$ 8,2 bilhões e R$ 3,5 bilhões já foram investidos. Dos 16 lotes, sete estão em andamento e apenas um concluído. Foram realizadas rescisões parciais em alguns trechos e novas licitações serão lançadas até março de 2013, segundo a previsão do Ministério da Integração Nacional. Dois lotes estão com obras paralisadas e algumas delas já chegaram a ser advertidas e até multadas.
O lote 14, já na
Paraíba, segundo funcionários do canteiro de obras, está em execução. Já
o lote 5, que atinge a área de Jati, deverá estar começando nos
próximos dias. Um dos auxiliares administrativos do lote 6 afirma que
vem havendo uma mobilização no intuito de iniciar os serviços, já que
foi assinada a ordem. O ministro Fernando Bezerra esteve no Ceará em
agosto do ano passado, para essa finalidade.
A última vez que foram
vistos alguns funcionários na área do distrito de Umburanas, segundo a
moradora, Francisca Furtado da Costa, foi em agosto do ano passado.
Alguns deles realizavam medições. A falta de esperança nas promessas de
concluir o canal do Rio São Francisco é praticamente geral na
comunidade. "Muita gente ficou desempregada e não há como sobreviver da
agricultura", diz.
O trecho do lote 6,
segundo a moradora, foi paralisado em maio do ano passado, quando foram
demitidos mais de 1.200 funcionários. O vaqueiro Fernando Vieira, da
comunidade de Palestina, lamenta tanto dinheiro gasto para ver de perto
uma obra abandonada, já penalizada pelo desgaste do tempo. No local,
onde a presidente visitou ano passado, estão algumas máquinas, veículos e
material de construção e a presença de um vigilante.
A área com problemas
está inserida num trecho de 73 quilômetros do canal, que vai até o
município de Cabrobó (PE). O lote cinco terá grande parte dos serviços
na cidade de Jati, município onde serão construídos cinco grandes
reservatórios. A obra beneficiará as cidades de Brejo Santo e Mauriti.
O Consórcio das empresas
Delta/EIT/Gtec esteve à frente dos trabalhos no lote 6. Com as
denúncias relacionadas à empresa Delta, no começo do ano passado, a
crise nos serviços piorou ainda mais. As dívidas na cidade de Mauriti
foram multiplicadas, gerando impacto no comércio local. Agricultores
saíram da cidade para tentar a sobrevivência em outras localidades do
Brasil.
Em agosto do ano
passado, quando a reportagem esteve em Umburanas, foram encontrados
poucos funcionários da empresa Magno Engenharia. Eles realizavam
medições na área próxima à estrada principal de acesso ao distrito, a 8
quilômetros da cidade, quase na divisa com a Paraíba. Eram cerca de 40
pessoas trabalhando.
A poucos metros do
asfalto há um corte, onde será construída uma ponte, entre a parte
concretada com as placas estendidas ao longo do canal, iniciadas desde o
distrito de Palestina. No local, passava o riacho de Umburanas.
Segundo o agricultor
Francisco Lopes de Sousa, que há mais de 30 anos reside na área, a obra
da transposição tem representado para a comunidade uma triste realidade.
"Desde que cavaram esse canal que estamos praticamente sem água", diz
ele. O morador diz viver angustiado, à espera de indenização da sua
casa, que fica às margens do canal. "Só saio de lá quando me pagarem",
afirma.
O agricultor Felipe
Viera atravessa uma área de mais de três quilômetros numa carroça, para
encher os reservatórios de água em casa. "É um sofrimento que
atravessamos. Um problema que vem desde sempre. Olho para esse canal e
vejo quanto dinheiro vem sendo desperdiçado. Espero que tudo isso um dia
compense", afirma.
Para Francisco Lopes, a
espera pelo fim do canal tem feito com que a esperança na concretização
da obra aconteça somente para os seus netos. Um dos seus filhos que
trabalhou como apontador, hoje se encontra em Fortaleza, à procura de
emprego. Foi um dos demitidos em maio. O drama da seca é outro agravante
para os moradores.
Orçamento
8,2 bilhões de reais
somam o valor total do projeto da transposição. R$ 3,5 bilhões já foram
investidos. O valor projetado em 2007 era de R$ 4,5 bilhões
aproximadamente.
DiamanteOnline com Radar Sertanejo


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