A Segunda Câmara do
Tribunal de Contas do Estado julgou ontem irregulares as contratações de
9.460 servidores na Secretaria de Saúde do Estado.
De acordo com a decisão, o governo terá um prazo de 120 dias para fazer a demissão de todos eles.
As irregularidades
apontadas pela auditoria do TCE envolvem as contratações de 1.923
prestadores de serviço e 7.537 servidores 'codificados', que são
servidores sem nenhum vínculo com o Estado e que recebem seus salários
mediante a apresentação do número do CPF.
Os auditores realizaram
uma inspeção especial para verificação do quadro de pessoal nos
hospitais vinculados à Secretaria de Saúde. O resultado da inspeção foi
analisado ontem pelos membros da Segunda Câmara. O processo teve como
relator o conselheiro André Carlo Torres Pontes, que em seu voto
determinou a aplicação de multa de R$ 6 mil ao secretário da Saúde,
Waldson Dias de Souza e de R$ 4 mil para a secretária de Administração,
Livânia Farias.
No levantamento, a
auditoria constatou que os prestadores de serviço são remunerados pela
Secretaria de Administração e os codificados pela Secretaria de Saúde.
No caso dos codificados não há nenhum registro deles no Sistema de
Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (Sagres) do Tribunal
de Contas. A relação de todos os codificados foi encaminhada em um CD
pela Secretaria de Saúde.
No início do governo
Ricardo Coutinho, o Estado contava com cerca de 10.400 servidores
codificados. O secretário de Saúde, Waldson de Souza, comprometeu-se com
o Ministério Público do Estado da Paraíba (MPE) a elaborar um plano de
médio prazo para regularizar a situação, mas até agora não se chegou a
uma solução.
Na semana passada, o MPE
propôs que o governo do Estado contrate a curto prazo, como prestadores
de serviço, os chamados 'codificados', e que a médio e longo prazo
realize concurso público. A Secretaria de Saúde, entretanto, adiantou
que a regularização dos servidores só se dará depois de considerar os
limites fiscais do Estado.
O procurador-geral do
Estado, Gilberto Carneiro, disse que "esse é um problema que o Estado
não tem como fechar os olhos", mas que isso sempre existiu dentro da
realidade administrativa do Estado. "Inclusive diminuiu muito na gestão
atual. Hoje praticamente só tem codificados na Saúde por ser um setor
delicado. Não existe mais nas outras secretarias", disse. Ele considerou
exíguo o prazo de 120 dias dado pelo TCE. Contudo acredita que haverá
uma solução, já que o governo está discutindo a questão com o MPE.
JP Online

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