O presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, disse nesta
sexta-feira, em debate na Costa Rica, que um dos fatores da impunidade
no País é o tratamento desigual dado pela Justiça.
Segundo ele, há
diferença na condução de ações envolvendo pessoas com maior poder
aquisitivo, com dinheiro para pagar bons advogados, e aquelas
relacionadas aos "pobres, negros e pessoas sem conexões".
"As pessoas são tratadas
de forma diferente de acordo com seu status, sua cor de pele e o
dinheiro que têm. Tudo isso tem um papel enorme no sistema judicial e
especialmente na impunidade", disse Barbosa. O ministro está em San José
participando de um evento sobre liberdade de imprensa promovido pela
Unesco.
Segundo o ministro, no
País prevalece uma proximidade antiética entre advogados poderosos e
juízes, o que acaba desequilibrando a prestação de Justiça. "Essa pessoa
poderosa pode contratar um advogado poderoso com conexões no
Judiciário, que pode ter contatos com juízes, sem nenhum controle do
Ministério Público ou da sociedade.
E depois vêm as decisões surpreendentes: uma pessoa acusada de cometer um crime é deixada em liberdade", argumentou.
Mesmo apontando essa
falha, que considera existir não só no Brasil e na América Latina, mas
no mundo todo, Barbosa disse que o Judiciário brasileiro é confiável,
forte e independente do Legislativo e do Executivo. "Os juízes são
respeitados pela maioria das pessoas", analisou.
O presidente do Supremo
também justificou a demora da resposta do Judiciário brasileiro devido
ao complexo sistema recursal do País, que admite até quatro instâncias
para analisar a mesma questão. Ele também falou dos problemas da
prerrogativa de foro, que permite aos políticos e determinadas
autoridades serem julgados por tribunais superiores, e não pela Justiça
de primeiro grau.
AgênciaBrasil

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