Corretíssimo o argumento do Procurador-geral da
República, Roberto Gurgel, na defesa de que se acabe, de uma vez por todas, com
o sigilo nas votações do Congresso Nacional, permitindo que o cidadão eleitor
acompanhe melhor o posicionamento ético de senadores e deputados,
principalmente naquelas votações de interesse público.
O ponto de vista do Dr. Gurgel, sem nenhuma dúvida,
se coaduna com o pensamento da expressiva maioria do povo brasileiro, já que
este procedimento tem o cabedal de evitar, ou na pior das hipóteses, inibir os
conchavos feitos nas casas legislativos, sob o manto do anonimato.
Apesar de protegida pela Constituição, o sigilo do
voto dos congressistas não deixa de ser uma discrepância, uma aberração, já que
permite que eles tomem posições contrárias aos interesses daqueles que os
enviaram ao Congresso Nacional, e, sob o manto do voto secreto, enganam os
eleitores com mentiras e desfaçatez.
Vota de uma forma e propala outra!..
A abertura do voto também pode inibir o sistemático
corporativismo no Congresso Nacional, evitando-se que deputados e senadores
corruptos, escapem da cassação através de votações manipuladas. Quanto se trata
de perda de mandato a votação é aberta no Conselho de Ética, mas quando é
levado ao plenário o voto transforma-se em sigiloso.
Deputados detentores de perfil nebuloso, a
exemplo de um Valdemar Costa Neto PR-SP) e Pedro Hanry (PP-MT), já escaparam da
cassação graças ao sigilo do voto. Hanry foi condenado no STF a sete anos e
dois meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Para fugir da cassação Valdemar Costa Neto renunciou ao mandato em 2005. Também
foi condenado a sete anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem
de dinheiro.
Dados levantados pelo Correio Brasiliense mostra
que, nos últimos 25 anos, desde o início da vigência da Constituição de 1988, o
voto secreto ajudou a proteger 60% dos deputados que tiveram pedidos de
cassação julgados no plenário da Câmara – 26 escaparam e 17 foram punidos.
Na opinião do senador Paulo Paim (PT-RS), autor de
uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que tenta acabar com o voto secreto
no Congresso, “esse tipo de votação interesse à negociata. O voto secreto
interessa àquele que diz uma coisa e faz outra”.
O certo é que o voto secreto faz com que o
indivíduo que não é transparente acenda uma vela para Deus e outra para o
diabo. E tem mais: é capaz de trair os dois, se abstendo, por exemplo.
Já está na hora de se dar um basta em decisões às
escuras.
Chico Pinto / BoaVenturaOnline
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