Entenda o caso:
O governo de Santa Catarina decretou situação de emergência em São
Francisco do Sul. O local do incêndio armazena 10 mil toneladas de
nitrato de amônia, cuja oxidação produz uma fumaça densa, que se
respirada causa irritação na pele, olhos e vias respiratórias. A Defesa
Civil estabeleceu um perímetro de segurança de 800 metros de raio a
partir do incêndio.
Mais de 200 bombeiros trabalhavam no combate ao incêndio até a noite
desta quarta-feira, 25. O nitrato de amônia não é inflamável, mas
oxidante. Por isso, o incêndio não produz chamas. Foram removidos
contêineres ao redor, para facilitar o acesso de grandes equipamentos de
combate, e o telhado do galpão. O objetivo é resfriar o produto. "O
nitrato de amônia, por si só, é considerado estável. Caso aquecido, pode
tornar-se explosivo", explicou o gerente de produtos perigosos da
Defesa Civil, major Geovane Matiuzzi, dos bombeiros.
O incêndio começou entre 22h e 23h da noite de terça-feira, 24. O
soldado Felipe Rosa, da comunicação social do Corpo de Bombeiros,
afirmou que pelo menos 70 pessoas tiveram de ser atendidas por respirar a
fumaça, e liberadas em seguida.
Nas primeiras horas do incêndio, a população assustada começou a
deixar a cidade, causando trânsito nas vias internas e na BR-280, que
liga São Francisco do Sul a Joinville. O acesso ao município foi
bloqueado. A prefeitura recomenda que quem já está fora, não tente
voltar enquanto a situação não for resolvida.
A Defesa Civil removeu as famílias dos bairros mais atingidos:
Paulas, Iperoba, Reta e Sandra Regina. Cerca de 400 pessoas estão em um
abrigo instalado em uma escola estadual que fica na entrada da cidade.
As aulas nas unidades da rede estadual em São Francisco do Sul e nas
cidades vizinhas de Garuva e Itapoá foram suspensas até sexta-feira, 27.
Os bombeiros ainda atuavam no local, sem previsão de término da
operação, até o fim da noite de quarta-feira, 25.
Efeitos:
A fumaça não é tóxica, mas pode ter efeitos
que provocam irritação das vias respiratórias. Essa é a análise do
professor Renato Sanchez Freire, do Departamento de Química Fundamental
da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, o único efeito imediato
para o morador da região seria uma possível irritação das vias
respiratórias, provocada pelo elevado calor da fumaça, sem nenhuma
consequência tóxica. "Respirar a fumaça provocada pela explosão não é
muito diferente do que respirar o gás provocado pelo escapamento de um
caminhão."
Texto 1: Tomas M. Petersen
Texto 2: Carlo Couti
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