O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acaba de permitir a criação de mais
dois partidos políticos no Brasil. Com isso, são 32 legendas envoltas no
processo eleitoral brasileiro, um número absurdo, que em nada contribui para o
aperfeiçoamento da democracia e, menos ainda, ao sistema eleitoral do país.
Com poucas e honrosas exceções são legendas simplórias, eivadas de
oportunismos e de métodos duvidosos. Serve apenas de negócios vantajosos para
os seus fundadores que buscam “abocanhar” parte dos recursos do fundo
partidário, além de alugá-las em troca de dinheiro ou de cargos durante o
período eleitoral. Também abre crateras enormes para a infidelidade
partidárias, pois permite ao detentor de mandato, transferir de partido sem o
perigo da perda do mandato.
Somente com a recente criação dos dois novos partidos -
Solidariedade e o Pros – as negociações se evoluem para a filiação de cerca de
50 deputados federais, envolvendo a entrega a eles do comando político das
siglas nos Estados e a promessa de um generoso rateio do dinheiro do fundo
partidário, algo entre R$ 3 e R$ 3,80 por voto recebido pelos congressistas.
Somente estas duas novas legendas vão receber mais de R$ 30 milhões por ano dos
cofres públicos em recursos do fundo, ou seja, dinheiro do contribuinte.
Para o deputado se transferir para estas novas legendas, além do comando
partidário em seus Estados de origem, eles exigem que a direção nacional fique
com 40% do fundo e que repasse 60% para as direções estaduais. O valor
repassado será proporcional ao número de votos obtidos em 2010 pelos
recém-filiados.
Canalhice
pura!..
Os parlamentares que negociam com os dois partidos são do chamado
"baixo clero", grupo de pouca expressão política nacional. Hoje são
apenas mais um nas suas bancadas estaduais, sendo que vários estão rompidos com
a direção regional.
Com o ingresso nos novos partidos, assume o comando regional da legenda,
o que lhes dará o direito de controlar não só o dinheiro do fundo partidário
como a propaganda partidária na TV, outro mecanismo essencial à sobrevivência
política dos parlamentares.
A corrida pela criação de novas legendas se acentuou a partir de junho de
2012, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que o PSD de Gilberto Kassab
teria direito de participar do rateio de verbas do fundo partidário e do tempo
de propaganda no rádio e na tevê.
Com isso, segundo o jornalista Josias de Souza, do Uol Blogosfera, “o STF
criou o deputado com código de barras. Agora, na formação dos quadros dos dois
novos partidos do mercado – Pros e Solidariedade -, é visível: os deputados
esqueceram de tirar a marca do preço”, satiriza.
Ocorre, no entanto, que esta brincadeirinha de “troca-troca” é feita na
sua essência com verbas públicas. Ou seja, com o nosso dinheiro, camuflado de
fundo partidário e, devido a isto, em vez de doer neles, somos nós que sofremos
as consequencias e o ardor do beliscão em nossos bolsos.
E, o pior nisso tudo, é que eles contam com o aval da lei referendada
pelo Supremo Tribunal Federal, que nada faz para conter que o dinheiro do
contribuinte sai pelo ladrão como se fosse dinheiro grátis, pois nunca é
demasiado recordar que o fundo partidário é feito de verbas públicas.
Varei!..
Fonte: Chico Pinto/BoaVenturaOnline
Nenhum comentário:
Postar um comentário
ATENÇÃO! Regras de comentários:
1– Poderão ser recusados os comentários anônimos ou assinados com e-mail falso;
2 – Serão, automaticamente descartados os comentários que contenham insultos, agressões, ofensas e palavras inadequadas.
3 – Serão excluídos, igualmente, comentários que contenham material publicitário, ou propaganda político-partidária. Que tratem de temas alheios aos abordados no contexto da matéria comentada;
4 - Os comentários publicados poderão ser retirados a qualquer tempo, em caso denúncia de violação de alguma das regras acima estabelecidas.