
O dia 7 de setembro de 1822 foi igual a outro qualquer para a maioria dos habitantes do Brasil. Nenhuma lei foi anunciada e o jornal da manhã seguinte não trouxe nenhuma notícia especial.
Na verdade, pouca gente percebeu uma mudança que faria muita diferença para a história do país: a proclamação da independência. O Brasil, que era uma colônia de Portugal, passaria a ser uma nação, com um governo independente.
Hoje essa data é festejada porque marca o dia em que dom Pedro rompeu os laços com a metrópole. Voltando de uma viagem a Santos, ele estava às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, quando chegou um mensageiro com cartas de Portugal que ordenavam o retorno dele e mensagens de sua esposa e de José Bonifácio incentivando a separação entre Brasil e Portugal.
Decidido, ele gritou a famosa frase: Independência ou morte! Na época, pouca gente presenciou esse momento ou soube do que aconteceu e, só cerca de um mês depois, a independência virou realidade.
Em 12 de outubro de 1822, no Rio de Janeiro, o príncipe Pedro, de Portugal, foi declarado dom Pedro I, primeiro imperador do Brasil, em documento oficial enviado para a coroa portuguesa. Aos poucos, dom Pedro I negociou com diversos países o reconhecimento da independência do Brasil.
Um dos primeiros a reconhecer o Brasil como uma nação foram os Estados Unidos. E o reconhecimento de Portugal só veio em 1825, em troca de uma indenização de 2 milhões de libras.
Nesse mesmo ano, a comemoração da independência começou a ser celebrada em 7 de setembro e a data foi ganhando importância por se referir a um momento simbólico da nossa história.

Ideais de liberdade:
O processo de independência do Brasil teve início muito antes do grito de dom Pedro. Tudo começou quando a família real portuguesa veio para o Brasil, em 1808.
A colônia se desenvolveu e estabeleceu relações comerciais com outros países, o que beneficiou fazendeiros e negociantes. Tempos depois, com o retorno de dom João à Europa, houve pressão do Parlamento português para que o Brasil voltasse a ser totalmente dependente de Portugal.
Aí muitos brasileiros passaram a defender a independência, acreditando que isso traria desenvolvimento para o país. Com o tempo surgiram revoltas de vários grupos contra a metrópole. Alguns pretendiam a independência do país todo, caso da Inconfidência Mineira, outros chegaram a proclamar governos provisórios em suas regiões, como a Revolução Pernambucana. Todos foram vencidos por tropas de Portugal, mas espalharam ideias de liberdade.
Alguns movimentos já defendiam um governo republicano, seguindo o exemplo de Estados Unidos, México e outras ex-colônias, nações que haviam conquistado a independência. E o próprio dom Pedro mostrou querer mais autonomia quando, em janeiro de 1822, se recusou a voltar a Portugal e, pouco depois, determinou que as leis portuguesas só seriam válidas no Brasil após sua aprovação.

Independência ou morte:
O quadro que mostra a cena da proclamação da independência do Brasil foi encomendado pelo imperador dom Pedro II e pintado pelo artista Pedro Américo, em 1888. Para compor a obra, o artista fez pesquisas e entrevistou algumas pessoas, mas sabe-se que a pintura não apresenta a cena de forma realista e foi planejada para destacar o gesto de dom Pedro e valorizá-lo como herói. Confira curiosidades sobre o quadro:
- Dom Pedro aparece montado em um belo cavalo. No entanto, sabe-se que a mula era o único transporte da época que aguentava viagens difíceis, como a de Santos para São Paulo.
- Poucos soldados acompanhavam dom Pedro, mas o artista incluiu a guarda real na cena e vestiu todos os soldados com trajes festivos, em vez das roupas simples e que normalmente se usavam nas viagens.
- A casa que aparece no quadro não existia: ela só foi construída em 1860. E perto da casa, entre os soldados, o artista desenhou um homem com um guarda-chuva preto.Provavelmente não havia ninguém do povo por perto, mas no quadro há um homem com carro de boi.
- O pintor mudou a posição do riacho do Ipiranga para que ele aparecesse na pintura.

Você sabia que:
- Após a independência, tropas das províncias da Bahia, Maranhão, Piauí, Grão-Pará e Cisplatina (atual Uruguai) permaneceram leais a Portugal? Houve guerras para vencê-las.
- No dia a dia dos brasileiros comuns, quase nada mudou com a independência? O imperador tinha o apoio de fazendeiros, comerciantes e nobres e, para manter esse grupo ao seu lado, evitou fazer grandes mudanças e manteve a escravidão. Assim, a maioria dos cidadãos, formada por trabalhadores comuns e escravos, continuou na sua rotina e nem percebeu que o Brasil passou a ser um país independente.
CONSULTORIA: AMARILIO FERREIRA JUNIOR (prof. do departamento de educação da UFSCar), CÉLIA TAVARES (profa. do depto. de ciências humanas da Uerj), LUIZ H. TORRES (prof. de história da Furg), MANUEL PACHECO (prof. da Faculdade de Educação da UFGD), MARA R. DO NASCIMENTO (prof. do Instituto de História da UFU), VANESSA RUCKSTADTER (profa. do departamento de educação da UEM) e WASHINGTON DENER (doutor em história pela Uerj).
Fonte: Maria Carolina Cristianini
Ilustrações: Jean Galvão
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